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Apenas 28% acreditam na aposentadoria até os 60: o que a pesquisa revela

A pesquisa Fenaprevi/Datafolha mostra a distância entre o desejo de parar de trabalhar até os 60 anos e a expectativa de conseguir. Entenda os números, os limites da notícia e as perguntas que ajudam a organizar o planejamento.

Por Movimento Mais Seguro8 min de leitura24/09/2026
Capa editorial: Apenas 28% acreditam na aposentadoria até os 60: o que a pesquisa revela

Pergunta central

O que significa dizer que apenas 28% dos brasileiros acreditam que conseguirão se aposentar até os 60 anos — e o que esse número não permite concluir sobre a vida financeira de cada pessoa? A pesquisa funciona como um alerta sobre planejamento, informação e dependência de uma única fonte de renda. Não é uma previsão individual de aposentadoria, uma simulação do INSS nem uma indicação automática de previdência privada.

O resumo do fato

A matéria analisada foi publicada pelo InfoMoney em 16 de setembro de 2026 e trata da quarta edição da pesquisa Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento, encomendada pela Fenaprevi ao Datafolha, com 1.908 entrevistados. 1

Entre os não aposentados, 59% gostariam de sair do mercado de trabalho até os 60 anos, mas apenas 28% acreditam que conseguirão. Na distribuição divulgada, 32% estimam parar aos 61 anos ou mais, 11% afirmam que nunca conseguirão e 12% não pretendem se aposentar. São respostas de percepção, não uma projeção atuarial.

A reportagem informa ainda que aproximadamente 65% não sabem quanto receberão do INSS. No relatório oficial, entre os não aposentados que pretendem contar com essa renda, 35% conseguem informar quanto esperam receber e 53% estimam até um salário mínimo. Entre os aposentados, 92% apontam o INSS como principal fonte de sustento. 1 3

A pesquisa registra posse declarada de 9% para previdência privada e 18% para seguro de vida. No total, 41% informam possuir algum seguro e/ou plano de previdência privada. Esses números descrevem a amostra pesquisada; não significam que qualquer produto seja necessário ou adequado para todos.

O que a notícia está dizendo

Existe uma lacuna entre vontade e expectativa

Querer parar de trabalhar até os 60 anos é uma preferência. Acreditar que isso será possível é uma expectativa. A diferença entre 59% e 28% sugere que muitas pessoas percebem obstáculos como renda insuficiente, dificuldade de poupar, dívidas, falta de informação sobre o INSS e incerteza sobre as despesas na velhice.

A pesquisa oficial também registra que 83% dizem pensar no planejamento das finanças para o futuro sempre, frequentemente ou de vez em quando. Pensar no futuro, porém, não é o mesmo que calcular uma meta de renda, conhecer as fontes disponíveis e acompanhar se o caminho está adequado ao objetivo. 3

O INSS é uma referência, mas não uma simulação

O INSS aparece como fonte central para quem já se aposentou e como referência para quem ainda trabalha. Isso não quer dizer que o benefício público seja dispensável ou deva ser substituído por um produto privado. Significa que o planejamento precisa começar por uma pergunta: qual renda a pessoa espera ter e de onde ela virá?

Uma pesquisa de opinião não calcula o benefício individual. O valor depende do histórico contributivo, das regras aplicáveis e dos salários considerados. Por isso, a estimativa de até um salário mínimo é percepção dos entrevistados, não cálculo oficial do benefício futuro.

Preocupação e preparação não são a mesma coisa

O relatório registra que 72% demonstram preocupação recorrente com a falta de atendimento médico para si ou para alguém da família, enquanto 28% dizem ter tomado alguma medida. A morte de um familiar preocupa 70%, mas apenas 22% afirmam ter se preparado. 3

Esse contraste é útil para a educação financeira: preocupação isolada não é planejamento. Medidas possíveis dependem da família e podem envolver orçamento, reserva para imprevistos, redução de dívidas, organização documental, conhecimento do INSS e avaliação de coberturas contratadas. Não existe uma resposta única.

PGBL e VGBL: por que a notícia não escolhe um plano

Segundo a SUSEP, o PGBL é um plano de previdência complementar aberta, enquanto o VGBL é classificado como seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência. Ambos podem resultar em renda mensal ou pagamento único, conforme contrato. 4

PontoPGBLVGBL
Dedução no IRPFPode haver dedução no modelo completo, até o limite de 12% da renda tributável e demais regras.As contribuições não são dedutíveis.
Base do imposto no recebimentoEm regra, o valor total recebido.Em regra, os rendimentos.
PortabilidadeRespeita espécie, regime tributário, carência e regulamento.Respeita espécie, regime tributário, carência e regulamento.

A dedução do PGBL não é desconto sem contrapartida: o tratamento tributário reaparece no resgate ou recebimento. A escolha depende do modelo de declaração, prazo, liquidez, custos, contrato e orientação profissional. A SUSEP informa que não há rentabilidade mínima garantida durante a acumulação; o resultado acompanha o fundo vinculado ao plano.

Portabilidade não significa trocar livremente qualquer produto. A orientação oficial indica que ela deve respeitar planos da mesma espécie e o mesmo regime tributário, além de carências e regulamento.

O que as declarações não permitem concluir

A matéria reproduz declarações de executivos ligados ao setor, inclusive comparações entre gastos com apostas e valores que poderiam ser destinados a previdência ou seguro. Essas falas são opiniões apresentadas na reportagem, não cotação, orçamento ou recomendação para o leitor. Custos, utilidade, cobertura e aceitação dependem de idade, saúde, renda, prazo, taxas e contrato.

A estatística de 28% não permite afirmar que os outros 72% necessariamente não conseguirão se aposentar até os 60 anos. Também não informa idade, renda, patrimônio, histórico contributivo ou saúde de cada entrevistado. A pesquisa não prova que previdência privada seja melhor que INSS, investimentos ou continuidade do trabalho, nem calcula o valor necessário para cada família.

Pontos para organizar o planejamento

  1. Defina a idade pretendida para reduzir ou encerrar o trabalho e a renda desejada em valores de hoje.
  2. Consulte informações oficiais do INSS, sem confundir expectativa genérica com simulação individual.
  3. Separe reserva de emergência de recursos de longo prazo.
  4. Compare contribuição, carência, resgate, portabilidade, custos, fundo, tributação e modalidade de renda.
  5. Se houver cobertura de risco, leia eventos cobertos, exclusões, carências e condições de renovação.
  6. Confirme se a simulação apresenta renda, pagamento único ou apenas saldo acumulado.
  7. Leia regulamento, proposta, certificado e demonstrativos antes de comprometer recursos.

Perguntas úteis

  • Qual renda mensal será necessária para despesas essenciais e saúde?
  • Quais fontes de renda estarão disponíveis além do INSS?
  • Quanto pode ser destinado ao longo prazo sem comprometer o orçamento?
  • O regime tributário e o modelo de declaração fazem sentido no caso concreto?
  • Quando o dinheiro poderá ser resgatado e qual será o custo?
  • Existem coberturas de risco ou apenas acumulação?
  • O plano de destino da portabilidade é da mesma espécie e regime?

Conclusão e aviso informativo

A principal mensagem da pesquisa é a distância entre o desejo de parar de trabalhar até os 60 anos e a confiança de que isso será possível. A notícia deve ser lida como convite à organização, não como ordem para contratar um produto. Previdência, investimentos, seguros e INSS têm funções, riscos, tributos e contratos diferentes.

Este artigo é educativo e não vende produtos. Não constitui recomendação individual de investimento, previdência, seguro ou planejamento tributário. Regras do INSS e do Imposto de Renda podem mudar; consulte documentos vigentes e orientação profissional quando necessário.

Referências

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação individual, promessa de cobertura, retorno, contemplação ou contratação.